| Vovó Maribel, feliz por não precisar sofrer com o Caiozinho e a mamadeira |
Contradição.
Essa é uma das palavras-chave da maternidade, com toda a certeza.
Quando o Caio nasceu, lembro de ter rezado e pedido aos anjinhos da guarda (o dele e o meu) que ele pegasse o peito e não quisesse mamadeira. Meses depois, lá estava eu, pedindo basicamente o contrário: que ele aprendesse a gostar da mamadeira e do leite artificial. Tudo isso porque preciso voltar a trabalhar e ele vai precisar se alimentar
É claro, peço isso a Deus com toda a dor no coração.
Acontece que eu NÃO CONSIGO tirar o meu leite direito, nem em quantidade suficiente para amamentar o meu filho enquanto eu estiver trabalhando. Já tentei bombinha, ordenha, tudo! Não adianta. Sai pingo por pingo, por mais prática que eu já tenha adquirido nesses últimos dias. Eu precisava introduzir outra forma de alimentação ao Caio, para aliviar a vida das vovós (esqueci de contar que ele vai ficar com as vovós, uma em cada turno, pelo menos até crescer mais um pouquinho - elas são meus anjos da guarda na Terra) e para que eu consiga trabalhar tranquila.
Fazia tempo que eu estava pensando em como, exatamente,
abordar a “saguinha” da mamadeira. Na verdade, a falta de ideia era porque os
testes que eu fiz ainda não tinham uma conclusão muito satisfatória. O Caio mamou um pouco
daqui, um pouco dali... mas somente esta semana eu tive a tranquilidade de
acreditar na adaptação plena dele a essa nova forma de alimentação.
Vou contar como aconteceu:
Na consulta do mês passado à pediatra, já começamos a
prever uma alimentação paralela ao meu leite. Ela sugeriu cinco nomes de leite artificial: NAN Comfor,
Aptamil, Nestogeno, Milupa e Similac. Quando fui ao mercado para comprar,
resolvi testar o mais barato, claro! Se o Caio gostasse, pelo menos no leite eu
já sairia lucrando. Rá! Óbvio que ele não gostou. Tentei por dois dias e meio e
ele não curtiu. Aí, minha mãe resolveu comprar o NAN Comfor para tentarmos. Ele
também não curtiu muito. Comecei a pensar que o problema era a mamadeira... mas
não deu tempo de tirar a prova porque, na semana dos testes, ele começou a
vomitar mais que o normal. Voltei à pediatra e ela pediu que parássemos com os
testes. Infelizmente, teríamos que esperar, pois esses dias a mais de leite
materno fariam toda a diferença para o desenvolvimento da barriguinha dele. Só
que aí as vovós iriam sofrer muito no início e eu ia trabalhar totalmente atucanada com esse assunto mal
resolvido. Por causa do provável refluxo, a doutora pediu uma ecografia, que vamos fazer amanhã (ou hoje, já que deve passar da meia noite). Mesmo assim, eu não me conformava em voltar ao trabalho e deixar a minha sogra com esse pepino na mão. Ela ia sofrer, ele ia chorar e eu ia ligar de hora em hora para saber se ele mamou - e, consequentemente, não ia me concentrar no trabalho. Comecei a tirar o meu leite para testar se o problema de rejeição dele era o leite ou a mamadeira. Com os dias, fui pegando mais prática na ordenha e, na última tentativa, consegui até tirar 40mL! Um baita feito! E o danadinho mamava tudinho, e ainda pedia mais! Aí vi, né... o problema era o leite. E não devia nem ser a marca, mas sim o gosto diferente daquele que ele já conhecia. Eu ia ter que mudar de tática... talvez, se ele sentisse outros gostinhos, a adaptação à mamadeira fosse melhor. Então, por conta própria (que a pediatra não leia isso :P), resolvi tentar dar raspinha de maçã para ele. No início, óbvio, a carinha de nojo. Mas, aos pouquinhos, ele foi gostando, pois a maçá era docinha e eu iniciei mais com o caldinho do que com a fruta em si. Mais tarde, na hora do mamá, não me contive: fiz 90mL de Aptamil. Mamou tudinho, no gute-gute! Ah! Fiquei realizada! Até chorei! Minha teoria estava certa: ele precisava de tempo. E de novas experiências. É muito querido, o meu filho, bem comportado e se adapta às situações... mas também não é perfeito, tadinho. Eu lá, tentando enfiar goela abaixo um negócio que ele nunca experimentou e que não é nem de longe tão gostoso quanto o leite e o carinho, o vínculo com a mamãe...
Chorei de feliz e de triste. Sei que, agora, é questão de tempo para ele se apaixonar pela mamadeira e não querer mais o peito. Lembro que, antes de ter o Caio, eu pensava que ia ter vergonha de amamentar na frente dos outros, que talvez eu fosse igual a todas as minhas tias e à minha mãe, que não amamentaram por sequer um mês, que ia doer e que eu ia querer que esse período acabasse logo. Esse foi mais um dos mitos que a maternidade derrubou. Eu sempre quis, amamentar, lógico, lutei muito por isso quando o Caio nasceu. Mas nunca pensei que eu fosse amar tanto esse momento. Hoje eu não tenho (por incrível que pareça) vergonha de tirar o peito para fora e oferecer àquela boquinha que, sabendo o que vem pela frente, já me espera bem aberta, em formato de O. Adoro a sensação de que ele sente o mesmo prazer que eu ao mamar, adoro ver que ele dorme melhor se mamar antes, adoro saber que, nessa hora, só a mamãe resolve. Saber que, em breve, isso tudo vai acabar, dá uma dorzinha. Meu filhote está crescendo MUITO rápido e eu, claro, não posso evitar. Agarro-me a cada pequeno resquício da sua vida de recém-nascido, de bebezinho pequeno, mas faço isso pela nostalgia, não pela necessidade. Cada nova descoberta do Caio é um grande passo, é um ganho na loteria, um assunto para a semana inteira com qualquer pessoa que pergunta sobre ele. Mas o tempo está voando. Em breve eu vou oferecer o peito e ele não vai mais querer. Eu não quero sofrer com isso. Mas vou chorar, com toda a certeza.
O importante é que ele vai continuar se alimentando bem. Vai ficar saudável, feliz, com a vovó Maribel neste primeiro mês e, depois, na dobradinha com a vovó Silvia. Vai crescer ainda mais, o meu filho. O meu bem mais precioso. E eu vou trabalhar tranquila.
=)




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