quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A reação às vacinas

No último sábado, meu amorzinho fez dois meses, junto com o papai dele, que fez aniversário. Dois meses é um marco na nossa vida: é quando você se dá conta de que já dá para olhar para trás e dizer: "quando meu filho era um recém-nascido"... agora ele é um bebezão, com mais de cinco quilos. Já nos desfizemos das primeiras peças de roupa, guardamos aquelas que serão recordação para sempre e já trocamos da fralda RN para a XP ou a P, e estamos há poucos gramas de ir para a M. O bebê já sorri propositalmente, tem o pescoço mais firme, mostra clara preferência pelos pais e segue-os com os olhos até perdê-los de vista - e choram porque isso aconteceu. É... o tempo voa. Por mais que você, mãezinha, esteja 24h por dia com ele, aproveite cada segundo e até veja como ele cresceu pelo tamanho das roupas (e das bochechas), não se dá conta de que ele cresceu TÃO rápido.
Chega, né? Já vou começar a chorar.
O segundo mês traz, também, aquele incômodo tão necessário: as vacinas. Elas acompanham o bebê até mais de um ano, mas essa é a primeira vez das reações - e você ainda não entende nada disso. São as seguintes (dadas na rede pública): DTP + Hib / Pólio oral / Rotavírus / Pneumocócica conjugada 10-valente. Pois é. Um monte, né? Elas são distribuídas entre três picadas (uma bem dolorida, BEM dolorida) e uma oral. Eu não sei qual é qual porque não entrei com o Caio no posto. O Eduardo, graças a Deus, faz isso por mim. Já descobri que, em situações emergenciais, eu seguro a onda numa boa, mas não me saio muito bem nas já esperadas. As vacinas foram às 14h30min. O Caio aguentou bem as primeiras duas picadas, mas a última foi dolorosa. Eu ouvia o choro desesperado dele lá da recepção do posto de saúde. Por um momento, me arrependi de não estar lá para connfortá-lo, mas logo lembrei que seria eu a segurar com muita força a perninha para a vacina. É... ainda bem que o Eduardo estava lá. Na saída do posto, abracei e beijei tanto o meu pequeno que ele até parou de chorar.
 Depois, em casa, cada vez que dobrava a perninha da vacina dolorida, era uma gritaria. Dei Tylenol Bebê e fiz compressa de água fria, mas a dorzinha ali continuava. A nossa rotineira soneca da tarde foi mantida, mas eu dormi tensa e toda torta, segurando a perninha dele, esticada para não doer. A cada movimento eu acordava e segurava mais forte a perna. Ele acordou bem, e eu, torta. Depois disso, cada dobrada de perna era um auê, seguido de outro auezão, pois ele detesta que segurem-no, que forcem alguma parte do corpo dele a ficar imóvel. O próprio termômetro, só dava pra colocar e segurar o braço durante a amamentação! Ô, gurizinho bravo... e, por falar em termômetro, ele só teve febre duas vezes, e foi o mínimo: 37,8°C. O suficiente para a mãe de primeira viagem aqui sentir na pele (e memorizar) a temperatura da cabecinha dele quando febril e a preocupação de uma febre mais grave. Mas o Tylenol e as roupas fresquinhas ajudaram muito.
Durante os dois dias seguintes, ele ficou bem sonolento. Dormia o tempo todo. Coloquei um pouco do meu sono em dia, pelo menos. A perna parou de doer, mas nas duas, nos locais das picadas, ficou tudo duro. Normal, segundo a guria do posto. Mas, para nós, nada é normal. Qualquer dorzinha é o triplo no coração da mamãe. A gente pede mesmo, de coração, a qualquer divindade que estiver de plantão, disposta a ouvir nossa súplica, que transfira a dor para nós, que somos mais fortes. Eu me pego fazendo isso direto, a cada dorzinha do meu bebê. Preferia eu tomar as vacinas e passar para ele só os anticorpos e a proteção toda pelo leite. Bem que podiam inventar isso pra quem amamenta, né? 
Cada vez que eu penso nos meus sentimentos é como se visse o rosto da minha mãe com uma risadinha sarcástica que diz, melhor que as próprias palavras, um sonoro "eu te avisei". Mãe não ganha sossego nunca. É como se, a partir do momento em que o seu filho nasce, você tivesse esquecido no hospital uma mala com a sua paz, o seu sono tranquilo e ininterrupto, a sua preguiça, a sua paciência e outros itens banais, como maquiagem, brincos, esmalte e lixa de unha. E, talvez, antes de costurar sua barriga, o obstetra tenha inserido em você um sensor compatível com o "modelo" do seu bebê. Sim, você vai acordar antes de ele chorar, vai saber se ele tem fome, se está com dor, se chora de sono ou de manha. É o dispositivo mais sofisticado de todos, esse sensor. Você ACHA que não vai saber, mas sempre sabe. Sem mais explicações. 
Além disso, você sofre. Oh, se sofre. Aquela assadura de dois ou três posts atrás está voltando e eu fico doida pensando nela. O Caio está com a pele do rostinho ressecada, perto das sobrancelhas e do nariz, e a médica dele receitou Drenison. Aí, é o banho de assento três vezes por dia de novo, a cada troca de fraldas é pozinho Granado + Nistatina + Hipoglós, depois do banho Drenison no rostinho, de vez em quando um Luftal para a cólica (que a pediatra não nos leia) e, essa semana, o Tylenol bebê. Começa a dar aquela sensação de que você está falhando em algum lugar. É óbvio que é uma sensação muito falsa, pois você está fazendo tudo o que pode e o que não pode. E todo mundo passa por isso e tudo piora com a escolinha. Tá, eu já sei de tudo isso. Mas o sentimento persiste. 
Enfim... hoje as reações à vacina já se foram. Meu bebê dorme tranquilamente no colo do pai dele, depois de, mais uma vez, ter sido muito corajoso: fomos à oftalmologista, ela dilatou as pupilas dele e fez vários exames nos olhinhos Ele chorou quase nada. A doutora foi só elogios: olhos perfeitos, menino lindo e comportado, pediatra de ouro. Saímos felizes, pois nosso pequeno milagre é muito querido e não dá trabalho nenhum. Sim, porque nada do que eu faço todos os dias por ele é trabalhoso. É tudo incrivelmente gostoso, principalmente se vier acompanhado de um sorrisão. Graças a Deus, eu recebo vários por dia. E sou a mãe mais feliz do mundo.

(Mãe, eu te amo, tá?)

=)

1 comentários:

Unknown disse...

Sempre fazendo tua mãe chorar né... não importa se é bebê ou uma moça de 25 anos, o amor e a preocupação são nossos maiores sentimentos. Isso é ser mãe. Tinha certeza que tu iria ser essa maezona...Te amo minha filha, tenho muito orgulho de ti, estás te saindo muito bem. Sou uma mulher privilegiada, uma filha e um neto lindos, que mais posso querer...missão cumprida.

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