quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A História do meu Amor - Parte I


Desde que descobri minha gravidez adquiri o hábito de escrever para o meu filho. Eu nem imaginava o que estava por vir... mas precisava registrar o que estava sentindo. Para ele, para mim... para lermos um dia e lembrarmos de como as coisas aconteceram. Pensei muito em como fazer desses textos algo especial... e, então, já que criei um blog só para o Caio, nada mais justo do que compartilhar aqui essas emoções que foram tão intensas.

O primeiro texto foi escrito cinco dias após a grande descoberta. Por isso, é longo.

Espero que você goste.

29 de janeiro de 2012.

Oi, meu filho!

Enquanto não tenho certeza se você será a Nicole ou o Caio, vou chamá-lo, assim, de forma unissex. Meu filho.
Você ainda deve ser menor do que um grãozinho de gergelim, pelo que eu andei lendo nos livros que ganhei e pelos sites sobre gravidez na internet. Então, não vai entender nadinha do que eu estou escrevendo aqui. Mas um dia, quando você for grandinho e puder compreender melhor as coisas, vai ler este texto e vai receber o imenso amor que a sua mãe já sentiu, antes de você tomar a forma de um bebê.
Papai e eu já estávamos planejando a sua chegada. Antes mesmo de tirarmos nossas primeiras férias juntos, em quase sete anos de namoro, já tínhamos decidido que você viria ao mundo e que, se Deus quisesse, isso seria logo. Estávamos, inclusive, pensando nas nossas próximas férias, nas quais, se desse tudo certo, você já estaria conosco. Assim, fomos para a praia da Gamboa, em Santa Catarina. Foram dez dias maravilhosos, o lugar é lindo (você vai gostar, tenho certeza... vamos voltar lá muitas e muitas vezes).  Passamos o Réveillon lá e voltamos no dia 07 de janeiro. Já na tasinha (eu e o papai sempre chamamos a nossa casa, carinhosamente, assim, você vai perceber que isso é muito comum), marquei uma consulta para ir à ginecologista (médica das mulheres) e me preparar para a sua chegada. A doutora me pediu vários exames e eu, só para ter certeza, pedi um exame para descobrir se você, por acaso, já estava na minha barriga. Fiz todos os exames, que, graças a Deus, deram todos normais. O de gravidez deu negativo, mas tudo bem, o que importava realmente era que eu tinha a certeza de que, agora, era só esperar você querer vir pra mim.
Na sexta-feira, dia 20 de janeiro de 2012, comecei a sentir uma dor muito forte, como se fosse uma cólica menstrual, mas muito intensa. Essa cólica somente acontecia de madrugada, em dois horários: às 3h e às 5h da manhã. Ela se estendeu até a madrugada de segunda-feira e eu, já cansada de ter dor sem saber o porquê, fui ao médico depois de sair do trabalho. Sua vovó Solvia foi junto comigo, mas, como fomos direto do trabalho para o médico, não levei todos os exames que já tinha feito. O doutor era meio estranho, “escutou” minha barriga e disse que havia uma “revolução” lá dentro. Como não sabia o que era, pediu mais um exame simples de sangue e outro de xixi, e me mandou para a medicação. Pediu que eu voltasse no dia seguinte, para ver o resultado e, então, ter um diagnóstico. Mas naquela mesma madrugada, de segunda, para terça (de 23 para 24 de janeiro), a dor voltou. Eu acordei chorando e o papai, assustado, resolveu me levar à emergência. A doutora que me atendeu era muito bonita, mas muito antipática! Mal olhou para mim e solicitou outra medicação. Voltei para casa melhor, mas preocupada. Afinal, por que tanta dor, e tão forte?
No dia 24 de manhã, bem cedinho, voltei ao médico. Dessa vez, foi um outro, o Dr. Roberto, que me atendeu. Dessa vez eu levei todos os exames que já havia feito e mostrei para ele, enquanto explicava as dores. O doutor olhou o exame de gravidez e perguntou se eu já havia mostrado para alguém. Diante da minha negativa, ele falou: “Você pode estar grávida!”.
COMO ASSIM?
Obviamente, meu filho, a mamãe não é médica. Quando busquei o resultado e olhei “15 mui/ml”, quando o mínimo para dar positivo é 25 mui/ml (não faço ideia do que seja essa unidade de medida), pensei: deu negativo! Mas esqueci que o normal, geralmente, era dar 2 ou 3mui/ml. Isso só ficou claro durante essa mesma explicação vinda do Dr. Roberto, que, mais do que depressa, pediu que eu repetisse o exame, com urgência, e retornasse ao consultório dele para ver o resultado. Caso desse negativo, ele poderia iniciar algum tratamento para a dor de barriga. Mas, se desse positivo... ah, meu Deus! Será? A mera e remota possibilidade já reacendeu todas as minhas esperanças! Fui direto ao laboratório colher mais uma amostra de sangue, torcendo para que ela estivesse cheinha do hormônio que só a placenta de um bebê produz.
Saindo do laboratório, fui direto para a casa da vovó Silvia. A essa altura, ela e o papai já estavam sabendo da suspeita do doutor. Almocei lá e dormi um pouquinho. Depois, lá por 15h, fui buscar o resultado. Sentada na sala de espera do Dr. Roberto, antes de abrir o exame, pensei: seja o que Deus quiser... mas, só para constar: eu quero MUITO! Com toda a calma do mundo, abri o papel e meus olhos foram direto aos números. 342 mui/mL!!! Positivíssimo! Nessa hora, automaticamente, muitas lágrimas começaram a brotar dos meus olhos. A vovó, que estava sentada ao meu lado, não queria acreditar, quis falar com o médico antes para ter certeza. Contra a vontade dela, peguei o telefone e liguei para o papai, que, embora não coubesse em si, também preferiu esperar a opinião do médico. Mas eu já sabia, não havia como estar errado! Eu estava grávida! Incrível como, imediatamente, essa ideia se materializou em mim, na minha cabeça, no meu coração, na minha barriga. 
Quando o Dr. Roberto me viu sentada na sala de espera, disse à recepcionista que estava me esperando e me passou na frente de quem quer que fosse o próximo paciente. Quando eu sentei em frente a ele e entreguei o resultado do exame, ele deu uma piscadela no papel e, rapidamente, me olhou, dizendo: “o que é que eu te falei?”. Essa pergunta foi o suficiente para que “caísse a ficha” da vovó. Eu já sabia. Ela começou a disparar várias perguntas ao doutor, mas eu não ouvi nada por alguns momentos, maravilhada com a ideia de você estar aqui, em algum lugar do meu corpo, mas totalmente no meu peito, preenchendo um espaço que antes nem existia, mas que, agora, parece nunca ter estado vazio! Liguei para o papai e contei a ele sobre a confirmação do doutor. Ele ficou muito contente! Pena não ter me aguentado para contar pessoalmente... queria ter visto a carinha dele quando entendeu que você já estava a caminho!
Depois dessa descoberta mágica, contei para o vovô, para a bisa, para os seus tios-avós e primas de segundo grau. Aí, usei o computador da tia Simone para lançar a novidade ao vento! Entrei no Facebook e digitei aquelas duas palavras pela primeira vez: “ESTOU GRÁVIDA!!!”. Dali a dez segundos, muitas pessoas queridas curtiram e comentaram a notícia!  Incrível, meu filho, como, com pouquíssimas semanas de vida, você já pôde ser tão amado pelos amigos da mamãe e do papai, pelas famílias, pelas vovós, pelo vovô e, claro, pelo papai e pela mamãe. Desde aquele dia, o dia 24 de janeiro, eu nunca mais estive só. Não penso em outra coisa a não ser em você, se está bem, se está conseguindo se alimentar direitinho aí, dentro de mim, se já conseguiu chegar à minha barriga. Estou louca pra poder te ver, para ter certeza de que você vai enfrentar muito bem essas doze primeiras e ameaçadoras semanas de vida. Papai ainda não está nessa mesma sintonia, mas é porque ele não consegue sentir as sensações que eu sinto. Ele ama muito você, não tenha dúvidas disso! Ele só precisa de um tempinho pra se adaptar. Embora você seja muito querido por nós, meu amor, você vai mudar muita coisa na nossa rotina. Estamos nos preparando para isso, dia a dia.
Do dia 24 para cá (hoje já é 29 de janeiro), as dores continuaram. No dia seguinte à descoberta, ainda com dor, pedi a outro médico (o Dr. Roberto não estava lá) o encaminhamento para fazer uma ecografia. Fomos a Porto Alegre, eu e o papai. Não pude ver você, provavelmente porque você ainda estava viajando para chegar à barriga. Mas a médica que fez o exame disse que estava tudo certo!Voltei para casa preocupada, mas, aos poucos, fui recuperando a confiança. Papai ajudou muito nessa hora, mexendo com você e me encorajando a acreditar que era, mesmo, só a sua viagem que ainda não havia acabado. A tia Janete voltou de viagem e trouxe o seu primeiro presentinho: uma camisetinha de João Pessoa, na Paraíba. A vovó comprou, no dia seguinte, um tip top do Inter, assim como um prendedor de bico e um par de meinhas, também do colorado. É, meu filho... a não ser que o vovô seja muito bom de lábia, não há como você não ser colorado! ;)
No sábado, dia 28, a vovó Silvia e a Jéssica, nossa prima, ajudaram a esvaziar o seu quarto. Antes, nele, papai e eu guardávamos muita coisa, mas muita mesmo! Agora ele está bem mais vazio, botamos muita coisa fora. Comprei umas caixas organizadoras e coloquei nelas o que era de mais importante. Agora falta pouco para tirarmos os móveis extras daqui. Assim que soubermos se você é menino ou menina vamos pintar e decorar o seu quarto. Aí vamos poder comprar os móveis e outras coisinhas de decoração. Mas o mais importante mesmo é eu me cuidar, para cuidar bem de você! Espero, sinceramente, que essas dores chatas passem e que você chegue são e salvo ao meu útero, e que nele fique bem confortável, quentinho e com tudo de que necessita. O principal, que é o nosso amor incondicional, você já tem.

Com amor,

Mamãe.





Só de revisar o texto, já chorei... lembro de tudo como se fosse ontem. E reler com o meu Caiozinho no colo, sonhando com os anjos, não tem preço! Mamães que gostam de escrever: fica a dica! É uma recordação incrível. Faz a gente voltar no tempo.

Assim que der, tem mais!



:)

1 comentários:

Unknown disse...

Simplesmente lindo lindo lindo li tudinho quanto mais eu estava lendo mais eu queria ler parabéns papai mamãe e caiozinho

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