Dizem que os bebezinhos "ainda não entendem", aos três meses, quando estão fazendo manha.
Aham, tá bom.
Desmitifiquei essa teoria há dois dias, durante um acesso de choro manhoso do Caio.
O meu filho tem tido uma sequência de atividades bem fácil de atravessar entre um soninho e outro: ele acorda feliz, rindo, conversando e brincando com a gente. Fica tranquilamente assim, na cama, por uns vinte minutos. Depois, começa a fase da reclamação para levantar: se não estamos no quarto com ele, é um tal de "Á!! Á-á!! Ãeé!! Áiê!!". Se estamos no quarto (ou se chegamos para falar com ele), os resmungos são mais longos e evoluem rapidinho para um chorinho, que evoluem mais rapidamente ainda para um choro desesperado. Aí, a gente pega ele e coloca no carrinho. Durante o trânsito, da cama para o carrinho, ele se agarra no colo, esfrega o rosto no peito ou no ombro da gente e vira a cabeça para os dois lados, para se certificar de que está de pé e de que não vai mais deitar. No carrinho, é só sorrisos (pelos primeiros dez minutos)! Conversa horrores, coloca os dois pés para cima daquele negócio para apoiar papinha e mamadeira, se entorta todo, assiste televisão, presta atenção em tudo. Dura mais um tempo no carrinho se eu virá-lo para onde quer que eu esteja, se tomando café ou fazendo algo para deixar a casa mais habitável. Aí, então, vem a fase da fominha. Pego no colo, dou o peito e ele mama numa velocidade e com uma gana que parece que nunca mais vai poder mamar; então, precisa abosrver tudo ali, naquele momento. Em cinco minutos a gana passa e ele começa a brincar com o peito: sorri para mim, fica tentando sustentar o meu olhar e chamar minha atenção, tira e põe o peito da boca só por diversão. Aí, se eu deixo muito tempo na brincadeira, é batata: lá vem um litro de leite de volta. Ele sempre vomita, mas, se fica brincando no peito, a quantidade é sempre maior, porque ele mama mais que o suficiente. Aí, troco a fraldinha e fico com ele no colo um pouco, sentada no sofá ou na cama, ou às vezes em pé mesmo, mostrando-o no espelho ou dançando com alguma música. Assistimos à Galinha Pintadinha, ou a algum programa na TV, ou ele fica no carrinho de novo, olhando para mim enquanto eu faço alguma coisa. Aí, vem a fase do chorumingo para dormir: começa a chorar e só para se estiver de pé, no colo. De pé mesmo! Parece que ele tem um dispositivo de nível, pois é só a gente sentar (mesmo que ele esteja milimetricamente na mesma posição anterior) e ele chora. Deitá-lo no colo, então, é um crime: chora como se alguém estivesse beliscando! E quem disse que ele dorme rapidinho? às vezes até damos sorte: se ele já tiver cansado bastante, dorme num piscar de olhos. Mas, se não... pode vir bico, mel rosado, fraldinha no rosto, musiquinha e colo das mais variadas formas. Não há cristo que faça o guri sossegar.
E foi num desses acessos de manha que a gente "quebrou os pratos". Ele estava no meu colo, mas não estava com sono o suficiente para dormir. Mas estava no colo, ora bolas... mesmo assim, começou a chorar, um chorinho que toda a mãe reconhece MUITO bem, genuinamente de manha. O Eduardo estava cozinhando e eu tentando acalmar o Caio no meu colo. Depois de muita tentativa e muita paciência, eu sentei no sofá, coloquei-o de frente para mim, olhei bem nos olhinhos dele e esbravejei: "Agora chega, Caio! Se continuar chorando, vou te colocar no carrinho e acabou o colinho!" Ele, claro, não entendeu uma palavra do que eu falei e continuou com o berreiro aberto. Resultado? Foi para o carrinho. Ficou ali chorando por uns cinco minutos a fio. Eu parei na frente dele, sentada no sofá, coloquei os dois cotovelos no carrinho, a cabeça sobre as mãos e fiquei olhando para ele com a maior cara de séria do mundo. Depois dos cinco minutos chorando de rolar lágrimas, ele foi diminuindo o ritmo. Gradativamente, foi parando de chorar. Quando ele finalmente parou, com os olhos vermelhos e uma cara de laje impagável, eu tive que me conter para não pegá-lo no colo e afagar até ele dormir. Não, não podia ceder sem o famoso momento "aprendeu"?. Depois de uns dois minutinhos de silêncio total (e o pai dele vindo dar umas espiadelas para ver o que estava acontecendo, e saindo para rir longe da gente), o danadinho começou a sorrir para mim. Ahhh, mordi a boca para não sorrir de volta. E aí, comecei: "acabou? Já parou de chorar? Entendeu que a mamãe não gosta de bebê chorão? O bebê lindo que eu conheço é esse, risonho, querido. Aquele, chorando sem motivo, não é legal! Vai parar de chorar? Aí, a mamãe te pega no colo!" A resposta foi um monte de sorrisos lindos enquanto eu falava e duas mãozinhas segurando os meus dedos, querendo levantar. Aí, peguei-o no colo e, logo depois, ele estava dormindo. Sem choradeira.
Claro que doeu fazer isso, mas foi necessário.E será, mais de uma vez, certamente. A criança começa desde cedo a testar os seus limites e, quanto mais cedo aprendê-los, da forma menos traumática possível, melhor.
Muita gente (principalmente as avós) pode achar que eu comecei cedo demais, mas não foi. Cada criança tem seu tempo e o do Caio é bem adiantadinho. Vou fazer quantas vezes for necessário. O mais importante de tudo é que, quando ele dorme, por menor que seja o soninho e por mais merecido que seja o meu breve descanso, eu sempre sinto falta de quando ele está acordado, rindo, brincando e me fazendo feliz. É o meu manhosinho lindo, que aprende rápido e que testa a mim e ao pai dele sempre que surge a oportunidade. Às vezes nós vencemos; outras, nos deixamos vencer. Tudo, sempre, tentando fazer o melhor para ele.
Já as vovós, com certeza, ele sempre vai vencer.




2 comentários:
Estou pronta para ser bem firme... he..he.. mentirinha, vó é mãe com açucar. Bjs, amo vocês.
O safado já sabe, com certeza ele já sabe... Começam cedo a ver até onde a gente vai.
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