quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A difícil arte de ser Mãe (Força, Santa Maria!)


Semana passada eu quis aparecer, mas não deu. Até tinha um post meio pronto, para falar da breve saga da mamadeira, que no fim não deu em nada porque tive que abandonar as tentativas por uma indisposição do Caio. Provavelmente será o meu próximo post, ou virá em algum momento. 
Hoje vou falar daquele assunto inevitável, que tomou conta do meu Estado, do Brasil e do mundo nos últimos cinco dias: a terrível tragédia em Santa Maria. Afinal, sou gaúcha, jovem e mãe. Não há como deixar de me ver em alguma das situações tangenciadas por esse triste momento.
No final de semana passado fomos à praia. Era a primeira vez do Caio fora da barriga, mas ele, obviamente, não chegou nem perto da areia, quiçá do mar. Foi um final de semana muito agradável, com o Eduardo, os tios e os primos dele. Agradável, até o domingo de manhã. Acordei e fui até a sala, com o Caio no colo, largando-o no colo de alguém para poder tomar café. Até vi que a televisão estava ligada e que alguma coisa estava acontecendo, porque não estavam falando em esporte, como de praxe. Estava passando margarina no pão quando ouvi o pessoal na mesa falar em tragédia.
Tragédia?
Naquele momento, meu dia se transformou. Enquanto a tia do Eduardo me explicava o que aconteceu, tive um misto de sensações que, acho eu, só uma mãe, não importa há quanto tempo é mãe, pode ter. Tive vontade de chorar, de estar lá pra ajudar, me pus no lugar das mães que perderam seus filhos, olhei instantaneamente para o meu filho e pensei que, um dia, ele vai crescer, pensei na minha mãe. Tudo isso na intensidade máxima. Passei o dia me sentindo meio mal, como se estivesse fora do corpo. Não se falava em outra coisa, não se via outra coisa. Natural, claro! Mais de duzentos mortos e, no mínimo, cem feridos... é muita gente! É muita gente jovem, com o mundo nas mãos e a vida pela frente! Era como se uma bomba tivesse caído sobre nós e devastado uma cidade, uma faixa etária, uma opção inteira de diversão. Tive vontade de ser bem egoísta e já pensar em nunca deixar o Caio sair para uma balada. Como se isso fosse adiantar... o perigo está em toda parte: na rua, na boate, no estádio de futebol. Dentro de casa, também. Tudo depende da situação, da circunstância. Não posso proteger meu filho de tudo. Assim como minha mãe não pode me proteger. Mas ela pode rezar. E eu também. Nunca rezei tanto na minha vida como nos últimos quatro meses. Não pensei que levaria tão ao pé da letra aquela história de filhos serem o nosso coração fora do corpo. A gente descobre, sendo mãe, que, de certa forma, os filhos dos outros também machucam o nosso coração exposto. Em uma tragédia como essa, em que centenas de mães perderam seus filhos e aceitariam de bom grado ir junto com eles, ou estão em um banco de hospital, oferecendo humildemente a Deus sua vida em troca da do filho, a gente tem aquele pensamento que é, ao mesmo tempo, solidário e egoísta: Que Deus as ajude! E que isso nunca aconteça comigo!
Desde aquela manhã de domingo, ninguém mais foi a mesma pessoa. Eu, pelo menos, não sou mais. Beijo meu filho a cada oportunidade, ainda que ele feche os olhinhos e faça cara de quem já cansou de ser babado. Choro porque ele está crescendo, e apesar de adorar ver sua maravilhosa evolução, a nostalgia de mãe sempre pega. E, todas as noites, rezo para o anjinho dele e para o meu, pedindo somente proteção. Que ele sempre esteja protegido de todo o mal. O restante, ele mesmo já conquista, com o carisma, a meiguice e a estrela dele.
Aí, no domingo à noite mesmo, entrei no face pelo celular para dar uma atualizadinha na vida. E chorei, mais uma vez, com uma mensagem que li. Dizia assim: 
"@maurosaraivajr Bombeiro pega celular q estava ao lado de um dos corpos. Nele estavam 104 chamadas. Foi ver o nome e estava lá....MÃE".
Foi inevitável não lembrar da dona Silvia. De todas as vezes em que ela me xingou por não ter atendido o celular. De todas as vezes em que fiquei irritada por ela me cobrar por eu não ter atendido o celular. De todas as vezes em que eu precisei ouvir a voz dela e ela, sem saber, me ligou só pra saber se estava tudo bem. E chorei por pensar que os jovens que morreram não tiveram o alento de ouvir a voz da sua mãe uma última vez.
Naquela noite rezei não só pedindo proteção ao meu filho, como sempre. Pedi, também, força às mães, pais e familiares que estão, até hoje, sem chão. Pedi que todos os espíritos que deixaram a Terra nesta tragédia fossem bem recebidos e acordassem sem medo, do outro lado. E, como toda mãe, pedi, com toda a humildade, que Deus nunca me permita viver tamanha dor.

Eu te amo, mãe!

Te amo demais, meu filho!

Força, Santa Maria! 

=( 

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