Só pelo tempo que faz desde a última postagem já dá pra imaginar o quão corridos têm sido os meus dias, certo? Desde o dia 21 de fevereiro a minha rotina voltou ao normal. Ou melhor: mudou completamente! Foram cinco meses em casa, respirando maternidade, cuidando de cada centímetro do corpinho, ouvindo cada suspiro e amando cada minúscula novidade no comportamento do meu filho. Os melhores meses da minha vida, sem sombra de dúvidas! Melhores do que na gravidez, já que, agora, eu o tinha nos braços. Tão intensos quanto, devido aos movimentos daquela coisinha tão pequenina que se mexia dentro de mim e que foi crescendo, crescendo, crescendo... é incrível como ele cresceu! O tempo voou, mas eu pude acompanhar tudo. Sinto que não perdi nada, apenas o tempo escorria entre os meus dedos.
E então, chegou a tão temida hora de voltar ao trabalho.
Entenda: o problema não é voltar ao trabalho. É ficar sem o seu filho! No trabalho, se você faz o que gosta e tem pessoas maravilhosas ao seu redor (o que, graças ao bom Deus, é o meu caso), o tempo passa rápido e as suas obrigações fazem você esquecer, por alguns instantes, a maior saudade do mundo. Por mais que ele esteja com a vovó e você tenha a mais absoluta certeza de que ele estará melhor cuidado do que se estivesse com você, ainda assim, não é argumento suficiente para a saudade abrandar. Você PRECISA daquela pequena parte de você de volta! É uma mudança muito brusca e radical: no dia anterior, você estava vinte e quatro horas grudada no bebê; no outro, passa mais de nove horas longe dele. O que acontece quando o reencontra? Quase esfola a criança de tanto abraçar, apertar, beijar... e sente a recíproca, principalmente se ainda amamenta: ele pode ter comido fruta ou recém tomado mamadeira, mas esvazia os dois peitos e não quer desgrudar. Essa parte, apesar de ele vomitar horrores depois, é maravilhosa! É sinal de que ele também sente falta, de que já reconhece quem é a mamãe. Ver isso acontecer todos os dias é o que acaba dando forças para que qualquer mãe encare a rotina da forma menos dolorida possível.
Na noite anterior, toda a fortaleza que eu construí em volta de nós dois caiu por terra. Eu já tinha refletido mil vezes e pensado na praticidade da coisa e em como tudo ficou perfeito: o Caio vai ficar com a vovó, eu vou soltar mais cedo para amamentar, a bolsa está pronta, etc. Tudo beleza! Mas foi o Eduardo levar o carrinho do Caio para o porta-malas do carro para a ficha realmente cair. Esse simples ato fez transbordar todo aquele involuntário sentimento de culpa que toda a mãe tem quando deixa o seu filhote. Parecia que eu o estava abandonando, que ele ia passar o dia chorando a minha falta e que eu estava caminhando na prancha em direção ao mergulho sem fim. Que dramalhão... ainda bem que, no dia seguinte, acordei mais tranquila. Chorei, claro, na porta da casa da minha sogra, quando beijei a testa do Caio e disse que o amava e que voltava logo. Ele sorriu para mim com a mais completa ignorância sobre o tempo que ia durar esse "logo" e eu senti que o estava enganando. Aí, tratei de ir embora logo, para resistir à tentação de pegá-lo de volta no colo e retornar para casa. Graças a Deus, fui mais forte. O dia no trabalho foi ótimo, a recepção dos colegas, a já conhecida correria que não esperou que eu me ambientasse novamente e já me puxou pelo braço, as fotos que eu, claro, levei para colocar no meu computador como proteção de tela. Liguei para a vovó duas vezes: uma pela manhã; outra, à tarde. Nas duas vezes a resposta foi a mesma: tudo bem. Mamou, sorriu, fez cocô, viu a Galinha Pintadinha, dormiu, passeou no sol... eu já sabia que seria assim. Mas o fato de SER, de verdade, me deixou muito mais aliviada. Desde então, todos os dias têm sido assim. A diferença é que eu não choro mais ao deixá-lo com a vovó.
Às mamães que ainda não passaram por isso, só posso dizer que não adianta dar conselhos. Eu sabia que ia ser bom pra nós dois, que ele não ia sofrer, que ia estar em boas mãos, que o meu sofrimento ia passar após a primeira semana. Eu sabia de tudo isso. Mas saber não é sentir. Você sabe que não tem cullpa, mas sente-se culpada. Sabe que não precisa doer, mas dói do mesmo jeito. Sabe que a rotina dele vai ser tranquila e que a vovó ou a escolinha vão ligar se algo estiver errado, mas liga várias vezes, mesmo assim. Não adianta a gente querer ser prática: na hora, o coração vence a razão. Seja forte, respire fundo e pense no melhor para o seu filho. Esse é só o primeiro desapego. Muitos ainda virão.
Infelizmente.




1 comentários:
Adorei o cantinho do Caio!
Parabens pelo principe!
Tambem tenho um, Davi, de 5 meses!
Ja estou te seguindo!
Beijoos, Bruna e Davi
http://diariodematernidade.blogspot.com.br/
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