Depois que se é mãe a gente desenvolve uma série de “poderes”
que a gente, além de nunca ter tido, duvidava que as nossas mães tivessem. Um
desses poderes é o tão falado instinto materno. Aquela coisa que te faz acordar
no meio da noite, virar para o lado e ver aqueles olhinhos bem abertos,
estalados, olhando para o nada, antes mesmo de qualquer chorinho. Que te faz
traduzir um choro de sono, de fome ou de manha, sem sequer titubear. Que te faz
pressentir os perigos, não te deixa dormir de preocupação ou te deixa dormir
quando está tudo bem.
Outro poder, não menor ou menos importante, é o vínculo. O
fino, delicado e indestrutível laço que amarra o filho à mãe, não importando
quantos anos ele tenha. Não dá, mesmo, para desatá-lo, seja lá o que aconteça
nos caminhos da vida. Mãe é sempre mãe.
Confesso que, antes de o Caio nascer, eu tinha muito receio
de não conseguir amamentar, mesmo que esse receio fosse infundado. Acontece
que, na minha família, ninguém amamentou por muito tempo, e eu tinha a
impressão de que o mesmo ia acontecer comigo – principalmente porque ele levou três
dias para mamar. Ainda bem que eu fui firme e não cedi ao Leite Artificial, senão
teria perdido uma das fases mais lindas da infância do meu filho. Quando ele
finalmente aprendeu a mamar no peito era como se eu tivesse descoberto mais um
fiozinho nos unindo, além de todo aquele emaranhado que o amor e o sangue já
formavam. Era um momento todo nosso, o qual eu aproveitava ao máximo –
principalmente quando ele mamava o suficiente e largava o peito com aquela
carinha grogue de quem está pra lá de satisfeito. Ah, como era bom! A sensação
de saber que, nessa hora, só a mamãe podia resolver, era muito gostosa. Não
tinha hora para o mamazinho, não era preciso controlar o tempo: ele mesmo
pedia, virando o rostinho para o meu corpo e abrindo a boca, procurando,
seguindo o cheiro.
Foi uma época incrível, maravilhosa, que durou por seis
meses. Infelizmente, acabou. Não por vontade dele, pois, embora não procure
mais, se eu oferecer o peito ele ainda vai bem faceiro. Só que, como a quantidade
reduziu MUITO consideravelmente, ele desiste logo em seguida. Afinal, para quê
passar trabalho se a mamadeira dá muito mais leite? Desde que eu voltei a
trabalhar e ele começou a comer frutas, sopa, tomar suco e o Leite Artificial,
o meu leite foi gradativamente perdendo espaço. Por fim, neste último final de
semana, cheguei à escassez de não dar mamá em nenhum momento do dia, não por
falta de tentativa. Aí, doeu. Foi uma dorzinha que eu não pude evitar e da qual
o Caio não tem culpa nenhuma. Ele até tenta, mas não sai muita coisa... então,
desiste e espera pela mamadeira. E eu sinto aquele vínculo tão gostoso se
desfazendo sem que eu possa evitar. Ia acontecer em algum momento, claro... mas
eu ainda não estava preparada. Nem sei se estaria, seja lá quando isso
acontecesse.
É óbvio que esta foi só uma minúscula baixa no nosso
relacionamento de mãe e filho. Vai fazer falta, mas vai passar. Conforta saber
que ainda tem muita coisa que vai nos unir, que ele já me sorri por qualquer
coisinha e que, em breve, vai me dar abraços de ursinho e chorar quando eu o
deixar na vovó. Entre perdas e ganhos, eu continuo tendo o maior lucro de
todos: um menininho lindo, saudável, bem humorado e carinhoso, que sempre será
meu.
=)





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