quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A velocidade da luz

Porque é bem assim.
Num dia, você está indo para a maternidade para receber o presente mais incrível da sua vida. Feliz e nervosa, você registra os momentos anteriores ao nascimento do seu filho e fica imaginando o que vai fazer, como vai ser e o quanto vai abraçá-lo, beijá-lo e niná-lo enquanto ele for um bebezinho indefeso.
No dia seguinte, ele já tem dez meses e você sente que não fez quase nada daquilo que queria ter feito. Ou até sente que fez... até acabar a licença maternidade. Depois disso, é culpa atrás de culpa, sentimento de perda. Perda daqueles momentos que você queria muito ter presenciado pessoalmente. A primeira febre, o primeiro dente, o primeiro feijão, o primeiro susto, as primeiras palmas, os primeiros passos... nada disso eu fui a primeira a ver. Fico mais feliz por ter sido a vovó, não a tia da escolinha. A vovó dá o significado que o momento precisa receber. Mas não é a mamãe. Não fui eu. É meio frustrante.
Nada disso é reclamação. É só desabafo, mesmo. A gente fica se fazendo de forte, pensando que é para o nosso melhor e para o de nossos filhos. É óbvio, tenho que trabalhar, gosto de fazer isso, amo o que faço. Ia surtar se ficasse em casa só cuidando do filho e fazendo os serviços domésticos. Não nasci para isso. Sei que tenho capacidade para mais. Mas, naquelas horas (tipo essa, agora) em que você olha o seu filho dormindo, esticado na cama, e percebe o quanto ele cresceu, está comprido, esperto, independente... é nessas horas que bate aquele sentimento de impotência. De certa revolta. De vontade de jogar tudo para o alto e acompanhar o crescimento e a evolução dele de pertinho. De me certificar de que não vou mais perder nada, nem um suspiro torto que ele der. 
Logicamente, não vou fazer nada disso. É só um pequeno pingo de insanidade.
Tudo isso é motivado pelo fato mais óbvio de todos: o tempo não pára, nem volta. Meu filho, ESTE filho, só será bebê uma vez. Depois, será criança. E assim por diante. E o que eu mais ouço é gente me dizendo para aproveitar, para fazer tudo o que tenho vontade com ele agora, porque depois ele não vai mais curtir, não vai mais querer "grude" comigo. E eu já me vejo dizendo isso para as mães mais recentes do meu círculo. O Caio, hoje, já me empurra com as duas mãos quando não quer ser beijado. E eu beijo mesmo assim, mas daqui a pouco não vai dar mais. Ele acorda de manhã, com todo o seu bom humor característico, e senta na cama, e se não der jeito, escala o que (ou quem) estiver na frente, impedindo-o de sair para o mundo. Daqui a pouco, vai sair pela porta para vê-lo mais de perto. E eu estarei mais saudosa do que hoje, lembrando daquele bebezinho que, quando tinha dez meses, fazia bichinho e outras coisinhas só para nos agradar.
Em três meses que eu não aparecia por aqui muita coisa aconteceu. Vários dentes brotaram, ele teve bronquiolite, estomatite, aprendeu a ficar em pé sozinho, a botar a língua, a mexer com a gente quando quer brincar. Aprendeu, aprendeu, aprendeu. Agora ele faz uma festa de verdade ao me ver chegar do trabalho, vem para o meu colo e me abraça. Depois, me larga para voltar a fazer o que estivesse chamando atenção dele. Comeu carne de churrasco sozinho, botou as mãozinhas na terra, descobriu que dormir de bruços é uma delícia. Alimentou uma adoração sem tamanho pelo pai dele, evoluiu na relação com o vovô e continua todo derretido pelas vovós. E pela Sabrina, prima do pai dele (mas essa tem um imã impressionante para criança, nunca vi). E está treinando duas coisas para o aniversário: palminhas no parabéns e caminhar. O cabelo cresceu tanto que tenho que pentear para o lado, porque a franja vai aos olhos. comeu, pela primeira vez, brigadeiro, pão e um pouquinho de geléia.Tudo isso, em três meses.
Independentemente disso tudo (e do meu sentimento de intempestividade), vale a pena ter um filho. Continuo recomendando isso pra todo mundo. E, sempre que posso, fico olhando-o dormir, faço-o dormir no meu colo, acompanho a respiração dele. E me sinto cada vez mais privilegiada por ter recebido, dentre tantas outras pessoas, a oportunidade maravilhosa de ser a mãe dele. É algo que nunca poderá ser mensurado. É o maior amor do mundo.

=)

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